Guatambu - Entrevista

Parque solar gera 100% da energia de vinícola gaúcha

Há 14 anos, quando idealizou a Guatambu Estância do Vinho, de Dom Pedrito, a família Hermann Pötter tinha um propósito: que a empresa fosse criada e desenvolvida dentro de padrões sustentáveis. Foi a partir dessa premissa que foram criadas a estação de tratamento de água, os reservatórios para captar a água da chuva e o aproveitamento do bagaço da uva para alimentar os animais. Tudo foi planejado para reaproveitar os recursos naturais e gerar menos resíduos. No entanto, o maior investimento até agora, em termos de valores e de impacto, foi o parque solar. A novidade está atraindo técnicos e curiosos de todo o país para a Campanha gaúcha.

O diretor-geral da vinícola, o médico veterinário Valter José Pötter, conta que ficou dois anos e meio pesquisando sobre os painéis solares. “Não temos nenhuma indústria no Estado com as placas, só casas”, ressalta. O projeto-piloto começou com 18 painéis e surpreendeu pela manutenção zero. Em 2015, a família iniciou a fase de cotação de preços dos equipamentos. Parte do material foi comprada de uma empresa italiana, enquanto os inversores – que transformam a energia contínua em alternada – foram adquiridos na Alemanha. A Guatambu é a primeira vinícola da América Latina a ser movida a energia solar.

Os 600 painéis solares estão em funcionamento desde maio do ano passado e geram 240 mil quilowatts hora/ano. Hoje, 100% da energia utilizada na vinícola vêm do parque solar e ainda há um excedente de 20%. Com isso, foi possível repassar esta sobra para outros setores da Fazenda Guatambu. “Na região da Campanha, temos em média 3.200 horas de sol durante o ano, uma energia que chega de forma gratuita, limpa, silenciosa e inesgotável”, conta o proprietário.

Economia no bolso e produto valorizado

A conta de luz da vinícola que variava de R$ 12 mil a R$ 15 mil por mês baixou para R$ 1,2 mil. O investimento no projeto foi de cerca de R$ 2,5 mil por placa, ou seja, em torno de R$ 1,5 milhão. O diretor espera ter o retorno financeiro dentro de oito anos e meio, caso a luz não suba acima da inflação.

“A questão não é apenas financeira. Em primeiro lugar vem a preocupação ambiental. Percebemos também que o produto ganhou mercado. É um somatório de benefícios”, diz Pötter, que já projeta a ampliação do parque dentro da propriedade. Além da geração de energia, as placas foram instaladas no estacionamento e servem para fazer sombras aos carros. “É um investimento que trabalha sozinho. Só depende de sol”, completa.